Estudei, construí uma carreira e trabalhei durante vários anos como jornalista e, mais tarde, como engenheira informática.
Por fora, tudo parecia estar no lugar certo. Havia estabilidade. Um percurso definido. Uma vida que, aparentemente, fazia sentido. Mas havia uma distância difícil de explicar entre aquilo que eu vivia e aquilo que sentia ser verdadeiramente meu.
Nada estava necessariamente errado. E talvez tenha sido isso que tornou essa sensação tão difícil de compreender.
A mudança não começou com uma resposta.
Não aconteceu de um dia para o outro. Também não aconteceu através de uma decisão repentina. Foi um processo de observação, aprendizagem e responsabilidade. Comecei por prestar atenção àquilo que sentia, às escolhas que fazia e à forma como me tinha habituado a viver.
Aos poucos, fui percebendo que não precisava de rejeitar tudo aquilo que tinha construído. Precisava de compreender porque é que, apesar de tudo parecer certo, continuava a sentir-me tão distante de mim.
Ao longo desse processo, comecei também a olhar de outra forma para uma capacidade que sempre tinha estado presente na minha vida.
Desde muito cedo conseguia perceber nas pessoas emoções, ligações e aspetos que nem sempre eram ditos ou imediatamente visíveis.
Durante muito tempo, não soube como integrar essa forma de observar na vida que tinha construído. Até perceber que não era algo que precisava de esconder. Era precisamente uma das formas através das quais podia contribuir para a vida de outras pessoas.
Continuo a não ter todas as respostas. Mas vivo de uma forma mais próxima de quem sou e daquilo em que acredito.
O meu trabalho nasceu desse caminho. Da necessidade de compreender antes de mudar. Da coragem de olhar para aquilo que durante muito tempo não soube explicar.
E da vontade de criar espaços onde outras pessoas também possam parar, reconhecer-se e encontrar sentido naquilo que estão a viver.
É isso que continuo a fazer.
Observar. Compreender. E ajudar cada pessoa a aproximar-se de uma vida que faça mais sentido para si.
O meu percurso ajuda a compreender de onde nasce este trabalho. Na minha abordagem, explico como observo cada pessoa e o lugar que a mediunidade ocupa nesse processo.